Só quero o que for meu: o caco, o nicho,/lá onde fura a noite a estrela-bicho. ("Culpe o vento".)

sábado, 9 de setembro de 2017

É UM CASACO

É um casaco que me teci
de fomes avessas à saciedade.
E se eu emagrecer
como tantas vezes se deu, apesar,
serei então o despojo dessa acuidade,
osso e nervo sob o magro,
mendigo andrajoso a quem sequer
dariam um cobertor. E outro ainda
na figura instável
sob vigilância contra a nova engorda.
E de perto é a distorção dos hipermétropes
e a dos míopes na distância
e eu muito gordo nas estrofes
e muito magro nas assonâncias!
É  um casaco. Um grosso e felpudo
casaco de fomes avessas,
tecido em malha miúda sem pressa
e se eu emagrecer
será um casaco ainda
como os dos maníacos ou febricitantes
e você me dará parabéns
mas é um casaco -
o casaco folgado de antes.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

RESENHA DE SILVÉRIO DUQUE PARA O "NATAL DE HERODES

"Nas muitas referências que faz ao pai ausente, por exemplo, e mesmo nas muitas faces que lhe empresta, Wladimir transforma essa ausência em uma averiguação que é mais que uma busca por outro; é na busca de si mesmo em todas as personificações que a figura paterna vem recebendo ao longo deste livro; todas se fundem nessa investigação minuciosa. O poeta não procura em outro pai ou família, não se compadece demasiado de si mesmo, muito menos perde tempo sentindo pena de si; é necessário que a orfandade não seja sentida como algo que o assombrará por toda a sua vida, muito menos sentir-se órfão de um fantasma, mas sentir-se mais vivo e certo de um sentido justamente por sentir análoga ausência. A ausência não pode ser razão de morte, mas uma razão para alcançar o que de mais vivo podemos alcançar; algo que transfigura, que em nossa busca nos reconheçamos. "

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